{"id":34,"date":"2018-10-18T17:47:33","date_gmt":"2018-10-18T20:47:33","guid":{"rendered":"http:\/\/newsjur.nienowadvogados.com.br\/?p=34"},"modified":"2019-01-01T20:30:20","modified_gmt":"2019-01-01T22:30:20","slug":"clausula-arbitral-em-contratos-de-adesao-nao-impede-consumidor-de-ir-a-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/2018\/10\/18\/clausula-arbitral-em-contratos-de-adesao-nao-impede-consumidor-de-ir-a-justica\/","title":{"rendered":"Cl\u00e1usula arbitral em contratos de ades\u00e3o n\u00e3o impede consumidor de ir \u00e0 Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>A cl\u00e1usula arbitral n\u00e3o impede o consumidor de procurar a via judicial para solucionar um&nbsp;lit\u00edgio.&nbsp;Esse \u00e9 o entendimento da&nbsp;3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, que afirmou ser&nbsp;poss\u00edvel esse tipo de solu\u00e7\u00e3o extrajudicial em contratos de ades\u00e3o, mas desde que haja concord\u00e2ncia entre as partes, pois o consumidor sempre ter\u00e1 a possibilidade de optar por levar o caso \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>O autor da a\u00e7\u00e3o que resultou no recurso especial buscava a rescis\u00e3o contratual e a restitui\u00e7\u00e3o das quantias pagas ap\u00f3s desistir de comprar um im\u00f3vel. Em primeiro grau, os pedidos foram julgados parcialmente procedentes. O Tribunal de Justi\u00e7a de Goi\u00e1s, por\u00e9m, declarou a incompet\u00eancia da Justi\u00e7a comum para julgar a a\u00e7\u00e3o, tendo em vista a exist\u00eancia de cl\u00e1usula arbitral entre as partes.<\/p>\n<p>Segundo a empresa, essa cl\u00e1usula foi redigida em negrito e exigiu a assinatura do comprador. Nela estava estabelecido que todas as controv\u00e9rsias do contrato seriam resolvidas por arbitragem.<\/p>\n<p><strong>Nulidade<\/strong><br \/>\nPara a relatora do recurso, ministra Nancy Andrighi, a rela\u00e7\u00e3o de consumo do caso est\u00e1 corporificada em um contrato de ades\u00e3o, como foi reconhecido em primeiro grau. Segundo ela, a d\u00favida seria se nesse tipo de contrato haveria incompatibilidade entre as leis consumeristas e a da arbitragem.<\/p>\n<p>A ministra disse que o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC) se limitou a vedar a ado\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e compuls\u00f3ria desse tipo de solu\u00e7\u00e3o extrajudicial no momento da celebra\u00e7\u00e3o do contrato, mas n\u00e3o impediu que, posteriormente, havendo consenso entre as partes, fosse instaurado o procedimento arbitral diante de eventual lit\u00edgio.<\/p>\n<p>Segundo explicou, a aparente incompatibilidade das normas n\u00e3o se sustenta ao se aplicar o princ\u00edpio da especialidade das normas, uma vez que a Lei de Arbitragem versou apenas sobre contratos de ades\u00e3o gen\u00e9ricos, subsistindo, portanto, a disposi\u00e7\u00e3o do CDC nas hip\u00f3teses em que o contrato, mesmo que de ades\u00e3o, regule uma rela\u00e7\u00e3o de consumo.<\/p>\n<p>\u201cAinda que o contrato chame a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que se est\u00e1 optando pela arbitragem, o consumidor, naquele momento, n\u00e3o possui os elementos necess\u00e1rios \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma escolha informada\u201d, explicou a ministra ao citar precedentes do STJ no sentido de considerar nula a conven\u00e7\u00e3o de arbitragem compulsoriamente imposta ao consumidor.<\/p>\n<p><strong>Tr\u00eas regramentos<\/strong><br \/>\nEm seu voto, ela esclareceu que, com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei de Arbitragem, passaram a conviver em harmonia tr\u00eas regramentos de diferentes graus de especificidade.<\/p>\n<p>A regra geral imp\u00f5e a observ\u00e2ncia da arbitragem quando pactuada pelas partes, com a derroga\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o estatal. A regra espec\u00edfica, contida no artigo 4\u00ba da Lei 9.307\/96, \u00e9 aplic\u00e1vel aos contratos de ades\u00e3o gen\u00e9ricos, restringindo a efic\u00e1cia da cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria. Por fim, h\u00e1 a regra ainda mais espec\u00edfica, no artigo 51 do CDC, que imp\u00f5e a nulidade de cl\u00e1usula que determine a utiliza\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria da arbitragem, em contratos de ades\u00e3o ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA atitude do consumidor de promover o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o principal perante o ju\u00edzo estatal evidencia, ainda que de forma impl\u00edcita, a sua discord\u00e2ncia em submeter-se ao procedimento arbitral, n\u00e3o podendo, pois, nos termos do CDC, prevalecer a cl\u00e1usula que imp\u00f5e a sua utiliza\u00e7\u00e3o, visto ter-se dado de forma compuls\u00f3ria\u201d, informou.<\/p>\n<p>A 3\u00aa&nbsp;Turma deu provimento ao recurso especial para determinar o retorno do processo ao TJ-GO, a fim de prosseguir no julgamento, afastada a cl\u00e1usula arbitral.&nbsp;<em>Com informa\u00e7\u00f5es da Assessoria de Imprensa do STJ.<\/em><\/p>\n<p><strong>Clique&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/dl\/arbitragem-nao-prevalece-consumidor-nao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>&nbsp;para ler a decis\u00e3o.<br \/>\nREsp 1.753.041<\/strong><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2018-out-18\/clausula-arbitral-nao-impede-consumidor-levar-justica\">ConJur<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cl\u00e1usula arbitral n\u00e3o impede o consumidor de procurar a via judicial para solucionar um&nbsp;lit\u00edgio.&nbsp;Esse \u00e9 o entendimento da&nbsp;3\u00aa Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":290,"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34\/revisions\/290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nienowadvogados.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}